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Acontecimentos que antecedem o fim

Na madrugada do dia 5 de agosto de 1954, o político e jornalista Carlos Lacerda havia sido vítima de um atentado diante do portão do prédio onde morava, na rua Toneleros, em Copacabana. Dois disparos atingiram quem o acompanhava, o major da aeronáutica Rubens Vaz, que não resistiu e acabou falecendo. A opinião pública conectou as severas críticas de Lacerda ao governo com o atentado recente. De linguagem contundente e contestadora, Carlos Lacerda chegou a chamar o presidente Getúlio Vargas de “monstro”. Assim, o atentado o muniu ainda mais: “Acuso um só homem como responsável por esse crime. É o protetor dos ladrões, cuja impunidade lhe dá a audácia para atos como o desta noite. Esse homem é Getúlio Vargas”, escreveu Lacerda.

No dia seguinte, enquanto o comércio do centro do Rio de Janeiro cerrava as portas para acompanhar o velório do major Vaz, Getúlio decidiu ir para Minas Gerais, onde foi recebido pelo governador Juscelino Kubitschek. O presidente participou da inauguração de uma siderúrgica e realizou seu último e incisivo discurso: “Advirto aos eternos fomentadores da provocação e da desordem que saberei resistir”, disse Getúlio, emocionado, ao lado do sorridente governador.

De volta ao Rio, encontrou o cenário ainda mais agitado. Um pistoleiro, Alcino do Nascimento, havia sido preso e confessara ter atirado contra Lacerda por encomenda de Climério, ainda foragido. Porém o pior ainda estava por ser anunciado por Alcino em depoimento: as suspeitas recaíam sobre Lutero Vargas, o filho do presidente, que seria o mandante do crime.

O caos desencadeado pelo último acontecimento requereu uma reunião com os ministros no Palácio do Catete, em 23 de agosto, quando se decidiu que Getúlio se afastaria do governo por três meses. Após o fim do encontro, que varou a madrugada, o presidente, já pela manhã, recolheu-se ao seu aposento. Por volta das 8h35, um tiro ecoou pelo Palácio do Catete, anunciando uma tragédia. Seus filhos Lutero e Alzira correram para o quarto junto com a mãe, Darcy.  A famosa carta-testamento deixada por Vargas estava em um envelope, encostada ao abajur da mesinha da cabeceira da cama do então presidente.

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